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Gestão corporativa socioambiental: uma visão sistêmica

Eloy Fenker

Um sistema é definido como um conjunto de partes ou elementos atuando visando um fim comum. Cada elemento depende do outro.

Um sistema fechado é um sistema que não se comunica com o ambiente externo, enquanto que um sistema aberto está em contínua interação e troca de energia com o ambiente externo. Os seres vivos e também as organizações pertencem aos sistemas abertos, porque interagem com o ambiente externo, trocando produtos, serviços, energia, informação, pressionando e recebendo pressões. No entanto, o planeta Terra, nosso ecossistema, está sendo considerado um sistema fechado, pois não pode importar recursos naturais ou biodiversidade, devendo reutilizar, reciclar utilizar tão somente o estoque atualmente disponível: os recursos não renováveis não podem ser repostos. Findo estes, acaba a vida no planeta.

A Teoria dos Sistemas propõe uma visão de que as empresas estão inseridas num mundo sistêmico e devem atuar de forma a gerar as melhores condições de qualidade de vida para a sociedade, visando a sustentabilidade a longo prazo de todos os componentes e não somente da empresa. Há necessidade de uma visão holística, sistêmica, levando em conta todas as partes de forma integrada e harmônica. Num sistema, todas as partes precisam atuar em limites de faixa variável, sob pena de entropia (morte) e por isso um sistema não permite a maximização de um único componente, como o lucro, mas exige um equilíbrio interno e externo, atendendo as necessidades de todos, especialmente as sociais e ambientais. Afinal, as empresas vivem na sociedade, para a sociedade e em função de todos os stakeholders. Como o valor da empresa é criado e mantido pelos stakeholders, então ela deve atender às necessidades deles, sob pena de comprometer a sua própria sobrevivência.

O agigantamento das corporações e sua crescente influência na sociedade; a globalização; a conscientização crescente da população fruto da educação e  de uma visão holística e sistêmica; a cobrança de ativistas e do mercado; a exigência dos consumidores; a gestão dos relacionamentos; o crescimento do conhecimento e dos estudos de administração, entre outros, determinaram a extensão da teoria da agência para incluir todas as partes interessadas (stakeholders), assim entendidos todos aqueles que de uma forma ou outra afetam e são afetados pela atividade das empresas, como: componentes da cadeia de valor; governo; comunidade internacional; comunidade local, meio ambiente, enfim, todos os habitantes do planeta e até as gerações futuras,  que gera um novo conceito de responsabilidade das empresas: a responsabilidade transgeracional, econômica, social e ambiental, baseada no conceito de triple bottom line.

Andrade e Rosseti (2007, p. 119) assim descrevem esta mudança:

Em contraposição ao objetivo de máximo retorno total dos proprietários, têm sido desenvolvidas proposições mais abrangentes aos objetivos corporativos, apoiados no conceito de triple bottom line. Estas proposições não recusam nem questionam a legitimidade do retorno dos investidores, mas ponderam que as companhias também acumulam ganhos - de que são exemplos a imagem e a reputação corporativa - se atuarem com olhos voltados para questões econômico-financeiras, ambientais e sociais. E podem incorrer em perdas e riscos se desconsiderarem estas questões.

Adolf Berle, apud Andrade e Rosseti (2007) questiona a maximização do lucro para os acionistas baseado nos argumentos de que os acionistas não suam para merecer os lucros do sistema produtivo e a possibilidade de ganhar o lucro sem trabalhar somente se justifica se a sociedade também participar. Com isto, a empresa, uma vez que está inserida dentro de um sistema social maior, não tem o direito de maximizar o lucro dos acionistas, porque isto implicaria em minimizar o benefício para os demais stakeholders, ali incluídas as necessidades  econômicas, socia


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